quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Esquerda, direita

 


Há dias venho procurando o meu tempo, onde pertenço, se aqui, ali ou mais adiante, então o tempo me vem à cabeça como vários tropeços, quedas contínuas que você tem que se acostumar sempre de joelhos ralados. Há dias venho procurando meu lugar, onde pertenço, não sei se acolá ou aqui, mas sempre me pego distante demais, nervoso demais... Sem lugar, sem tempo, somente uma casca vazia vagando pelas estações, esperando um trem que nunca. Um empurrão que falta. Duas ou três doses de tequilas e já é o suficiente pra fazer o meu mundo girar, ficar de cabeça-ponta. É estranho ficar perambulando quando você não sabe de onde veio, pra onde irá, todos os lugares que eu parti, todos os lugares que eu ainda vou chegar e ter que fazer uma escolha. No final, as coisas sempre acabam perdendo a graça, por isso resolvi parar de pensar nisso, manter outro pensamento em foco na mente, deixar os dados rolarem sobre a mesa sem precisarem da minha ajuda. Eu sempre dô um jeito de me perder, mas é muito complicado me achar, convencer-me de que eu só faço mal a mim mesmo em qualquer quantidade de fim de semana. Há frutas escorrendo pelos meus olhos. Há árvores desabando em cima de mim. Eu escutei o barulho do vento e ele me pareceu uma moto. E estou sempre aqui, parado, a contemplar tudo passando por mim e eu sem poder agarrar, sendo passivo a qualquer tipo de acontecimento, deixando o vento levar tudo o que eu deixei que levasse por preguiça ou por capricho. Não é que a vida tenha perdido a graça... Pensar demais é que é o verdadeiro problema disso tudo, sabe? Tomar decisões apenas na mente, deixar de fazer o que quer, deixar de viver o que quer por causa dos outros não me parece ser lá muito saudável... Tudo bem, você pode ter entendido errado, não é que estou falando que a felicidade está presente nos inconsequentes... Pra começar, eu nem acredito em felicidade. Mas, sim, os inconsequentes são menos infelizes. Eu só continuo com medo de não me achar, mas arriscando me perder. Sabe como é, cutucar onças com varas curtas... Mas creio que em algum lugar ali fora, ou mesmo aqui dentro, haja um lugar e um tempo onde se possa viver sem pensar em morrer.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O conto sem ponto da corda amiga

Corda minha que enlaça a vida e
      sufoca a alma
Corda minha que enlaça a alma e
      sufoca a vida

Corda, querida corda, venha para me despertar
Acordar de um sonho de morto-vivo
Para encontrar e verdade com suas mãozinhas delicadas em volta do meu pescoço
Visitar a vida para deixar de sonhar

Corda minha,
Querida minha.
Corda querida,
Minha, minha.

Há de me tirar da desilusão da vida
Faze-me repousar a cabeça em teu colo,
Porque me vejo cansado dessa fadiga

Corda próspera
      dos campos de morango
      que os desperta dos lírios do campo
Entoa, corda, entoa tua sublime canção
      para esses soldados cansados de coração

Canta para mim corda, um conto tu tens que me cantar, quero adormecer contigo, então conta para mim: “Era uma vez Mardhem...”