E se o ontem não existisse?
Então, quem eu seria?
Eu sempre costumo pensar quando olho lá dentro do fundo dos teus olhos
Nos dias que o tempo andou só por andar
Nos dias em que nós fizemos o tempo passar
Nos dias em que o tempo só se arrastava lento e sossegado
...
Eu já perco os meus pés por aí quando eles não andam juntos aos teus
Não é como se fosse uma febre de dependência, eles só adoram o teu calor
E as minhas mãos ficam a vagar no espaço procurando as tuas
Perdidas
Distantes
E a nostalgia me sufoca com o gostinho de ansiedade que percorre meu corpo todo
Tu aqui
Eu ali
E não nos contemos mais esperando o momento de ficarmos juntos
E nos dias de hoje, tudo o que eu preciso é da tua presença e essa tua voz diabética
...
As vezes tremo de medo quando o teu sentimento me invade de uma maneira tão profunda e intensa que dá vontade de correr
Mas passa quando me lembro que tu é tu e tu nunca vai sair dali
Nem quando faltar luz
Nem quando faltar sombra
Nem quando faltar fogo
Água
Natureza
Gelo
Eletricidade
Nem quando faltar nada
E é nisso que eu vivo todos os dias
...
Tudo é muito pouco pra dizer, mas eu tento do mesmo jeito
As palavras saem, mas a imagem permanece na alma
A alma é muito funda nos olhos
E o teu toque é um sopro de alma
E me dá muitos calafrios
É como um susto
As vezes aterrador
As vezes muito doce
Mas sempre tão intenso quanto a tua alma
...
As vezes é preciso sair da sombra e contemplar a luz
Deixar-se preencher, desanuviar
As vezes é preciso sair da luz e dormir na sombra
Deixar-se esconder, hibernar
A permanência em cada estado é dolorosa
Mas sempre é preciso amar.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
segunda-feira, 23 de julho de 2012
o garoto espacial
Estou a tatear
essa densas paredes do meu quarto fúnebre, vendo uma densa cadeira amórfica
pregado no teto a desdenhar da minha agonia espalhafatosa, respirando a porra
de um ar venenoso que entope meus pulmões do movimento espiralar da queda da
merda e de um chorume, como se tivesse afundado nos lençóis ilusórios da minha
cama para ser afogado em um mictório de estrelas do rock, tudo morto, e as
tumbas dos meus ancestrais cadavéricos ficam a zombizar na minha cabeça, os
fantasmas surgem e eu não fujo, eles me chamaram para brincar de escravos de
loló.
Seringas no
chão, alegrias injetadas na veia e passando por todo o meu corpo lentamente.
Anoiteci-me, mas tenho medo de não mais acordar. O meu correr é insuficiente.
Minhas pernas estão lá, mas não. Os meus olhos enxergam, mas não. Eu vivo, mas
a minha existência não me alcança. Eu corro, eu fujo, eu acho que estou voando,
mas provavelmente eu esteja só caindo. A primeira e última vez sem chão. O
final. Eu quero partir, mas. E se... Não! Eu estou indo para um lugar onde eu
nunca. Talvez volte, talvez não. Talvez eu ganhe asas, talvez não, mas estou
indo.
Rouxinóis
verdes claros estão a contaminar a minha vista, o mundo parece ser tão longe
dos meus pés agora... O cheiro de queimado sobe, minha vida se esgotando junto
com as cinzas, estou envelhecendo na mesma merda de cidade fadado a morrer
essas minhas últimas mortes, morrendo pra nascer igual com o som do mesmo
estúpido sino badalando no meio-dia, com o mesmo cheiro de queimado e eu só
precisava de um chá de cogumelos...
E no fim da
tarde, essas pequenas criaturas ficam me atormentando, perfurando meu estômago,
defecando na minha corrente sanguínea, uma tortura de nunca mais. Eu me perco
sempre, mas eu consigo. Não tenho sempre, mas ainda. Respiro, mas escapa.
Escapa e não mais me pertence, foge de mim, o queimado, a queda, os sinos,
pequenas criaturas, eu e nenhuma mais outra poesia.
Eu tenho medo
de partir, mas ficar já me é agonizante...
sábado, 7 de julho de 2012
If
olhar todos os dias as mesmas caras
sentir sono no ônibus, na ida e na volta pra casa
sorrir com as mesmas piadas
trilhar as mesmas estradas
correr da própria sombra
às vezes, de medo
às vezes, pra rir
esquecer as velhas músicas
sonhar acordado
sentar a mesma bunda
rir com a mesma cara
cavalgar o que não tem
atropelar as pessoas erradas
ser gentil
fingir
escutar o latido dos cachorros em frenesi
calhar o que calha
sorrir para o que basta
enganar-se do necessário
fantasticar o trivial
magiquices do resto
cansaço para a hora de dormir
chorar para a hora de se esconder
amar todo tempo
criar
criar
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